Caso David Jackson, descoberto 15 anos depois
Em 25 de junho de 1988, David Jackson, de 24 anos, saiu de seu apartamento em Pembroke Pines, na Flórida, depois de receber uma ligação de sua ex-mulher. No dia seguinte, ele não apareceu para trabalhar e também não foi buscar o irmão no aeroporto, como tinha combinado. A família procurou a polícia, mas durante 15 anos ninguém conseguiu descobrir o que tinha acontecido com ele. A resposta só apareceu muitos anos depois, de uma maneira inesperada: o próprio filho de David reconheceu o pai em uma fotografia de pessoa desaparecida dentro de uma delegacia.
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| David Jackson |
David nasceu em 1963, na Flórida, e era o mais velho de quatro irmãos. Ele trabalhava como motorista de entregas da Coca-Cola, fazia aulas de bartender à noite e morava com o amigo Alvaro Bracho. Ele também tinha uma relação muito próxima com a mãe, Judy Carlson. David tinha se casado alguns anos antes com Barbara Britton, depois que os dois se conheceram quando trabalhavam em uma unidade do Burger King. Barbara engravidou e, em agosto de 1983, nasceu o filho do casal, John Henry Jackson.
O casamento não durou. Depois da separação, David continuou tentando manter contato com John e enfrentou dificuldades para ter convivência com o filho e precisou recorrer à Justiça para garantir as visitas. Em 1987, Bárbara conheceu Michael Wolfe, um homem cerca de vinte anos mais velho que ela, que tinha servido como policial militar na Força Aérea e estava na Flórida para um treinamento profissional. Os dois começaram um relacionamento e se casaram em junho daquele ano.
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| David e John |
Pouco depois, Bárbara se mudou para o Arizona com Michael e levou John, que tinha por volta de 4 anos. David foi até lá para visitar o filho e continuou tentando preservar a convivência entre os dois. Um acordo judicial determinou que John passaria parte das férias de verão de 1988 na Flórida com o pai. A visita estava marcada para julho, e David tinha conseguido alguns dias de férias no trabalho para passar o máximo de tempo possível com John.
Segundo uma carta escrita poucos dias antes de seu desaparecimento, David continuava tendo sentimentos por Barbara, dizia que esperava a visita dela e do filho e acreditava que talvez os dois pudessem reatar o relacionamento.
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| David e Barbara |
Na noite de 25 de junho, David estava em casa quando recebeu uma ligação de uma mulher. O colega de apartamento ouviu a conversa e percebeu que David ficou animado depois de desligar. Ele tomou banho, se arrumou, passou perfume, pediu alguns dólares emprestados e saiu dizendo que voltaria mais tarde.
Aquela foi a última vez que ele foi visto. David não apareceu no trabalho no dia seguinte. Também não foi buscar o irmão no aeroporto. A família comunicou o desaparecimento a policia e começou a procurar por ele.
Quase três meses depois, em 22 de setembro de 1988, o carro de David apareceu no Aeroporto Internacional de Fort Lauderdale-Hollywood. O veículo ficou no estacionamento durante aproximadamente 35 dias, embora David já estivesse desaparecido há quase 90 dias. Dentro do carro havia uma caixa de munição calibre 22 e um pacote de seis cervejas do qual faltava uma. Uma das armas que David costumava manter no carro também desapareceu.
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| Michael Wolfe |
A investigação não conseguiu descobrir onde David estava, o caso esfriou e permaneceu sem solução durante anos.
Em 1989, um ano após o desaparecimento de David, trabalhadores que construíam uma loja do Walmart encontraram restos humanos no terreno. Entre os materiais encontrados havia ossos de uma mão e, ao todo, foram recolhidos mais de vinte ossos, porém o crânio não apareceu.
Os restos foram encaminhados ao médico-legista e permaneceram sem identificação. Durante anos, ninguém sabia que aqueles ossos pertenciam a David Jackson. A família continuava sem saber onde ele estava.
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| Detetive Donna Velazquez |
Enquanto isso, a vida de Barbara e Michael Wolfe também mudou. Michael adotou John depois do desaparecimento de David, e o menino passou a se chamar John Wolfe. Em 1993, Barbara e Michael se divorciaram e ele se mudou para Ohio.
Foi somente em 2003, 15 anos depois do desaparecimento de David, que a história começou a mudar.
A detetive Donna Velazquez assumiu a investigação de antigos casos de pessoas desaparecidas em Pembroke Pines. Enquanto trabalhava no caso de David, colocou uma fotografia dele perto de sua mesa. A fotografia acabou sendo vista por um jovem que participava de um programa voltado para adolescentes interessados em conhecer o trabalho policial.
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| Bárbara quando foi presa |
O jovem era John e ele disse que aquele era seu pai biológico, David. E ele disse que acreditava que sua mãe sabia mais sobre o desaparecimento de David do que havia contado.
A detetive Donna voltou a examinar os registros do caso e descobriu que havia restos humanos não identificados que poderiam pertencer a David. O material foi comparado com a mãe de David e os ossos encontrados no terreno em 1989 finalmente foram identificados.
A descoberta significava que David não tinha simplesmente desaparecido. Ele estava sem vida desde 1988, e seu corpo tinha sido encontrado apenas um ano depois, sem que ninguém soubesse quem era a vítima. A partir daí, a investigação passou a procurar quem tinha tirado a vida David.
Michael Wolfe chamou a atenção dos investigadores. Quando os policiais foram atrás dele em Ohio, ele compareceu voluntariamente a uma delegacia no dia seguinte. Durante a conversa, Wolfe fez uma declaração por escrito contando que havia conversado com Harry Britton, pai de Barbara, meses antes do desaparecimento de David.
Harry estava furioso com David por causa de acusações relacionadas à guarda de John. A conversa chegou ao ponto de discutir a possibilidade de David desaparecer. Wolfe também descreveu uma arma calibre 22 e mencionou a ideia de atrair David para um local de emboscada.
A polícia descobriu que Wolfe havia obtido uma licença federal para comercializar armas apenas 21 dias antes do desaparecimento de David. Os investigadores também localizaram uma das ex-mulheres de Wolfe, Nancy Graham.
Nancy havia sido casada com Wolfe após o casamento dele com Barbara e ela testemunhou que ele contou que Barbara e Harry tinham planejado eliminar o ex-marido dela e que Wolfe tinha participado do plano.
A história era muito mais específica do que a primeira versão apresentada por Wolfe à polícia. Barbara e Michael tinham viajado do Arizona para a Flórida usando identidades falsas. Barbara entrou em contato com David e marcou um encontro em um hotel, fazendo ele acreditar que existia a possibilidade de os dois retomarem o relacionamento.
Quando David chegou ao quarto, Michael Wolfe estava escondido no banheiro, ele saiu do esconderijo e disparou contra David duas vezes.
Depois do crime, o grupo, composto por Barbara, Michael e Harry, levou o carro de David até o aeroporto. O objetivo era fazer parecer que ele tinha ido embora. O corpo foi levado para um terreno próximo à residência dos pais de Barbara e enterrado.
Quando as obras do Walmart começaram um ano depois, Harry percebeu que poderiam encontrar o corpo. Michael voltou à Flórida e, junto com Harry, moveram os restos de David, colocando em sacos de lixo do lado de fora da casa de Harry.
Depois disso, os trabalhadores encontraram apenas alguns ossos no terreno.
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| John já adulto |
Depois de sua confissão por escrito, Michael Wolfe foi preso. Durante o julgamento, porém, ele negou ter participado e confessado o crime. A defesa tentou questionar as provas apresentadas pela acusação, mas o júri considerou Michael culpado e ele recebeu prisão perpétua.
Depois da condenação, Wolfe passou a apontar diretamente para Barbara e Harry. Ele afirmou que não tinha criado o plano, apenas executado o crime. Também afirmou que Barbara tinha desempenhado um papel central ao atrair Davidl.
Barbara negou participação e sustentou que estava no Arizona naquele dia. Mas em dezembro de 2007, ela também foi presa. Em abril de 2012, Barbara fez um acordo com a Justiça e se declarou culpada de ser cúmplice após o fato. Barbara admitiu que havia telefonado para David e criado o encontro com ele, mas continuou negando que soubesse que ele perderia a vida.
A pena ficou em dez anos, dos quais oito em liberdade condicional. Como ela já tinha passado aproximadamente três anos presa aguardando julgamento, não voltou para a prisão.
Harry Britton, o pai de Barbara, nunca enfrentou julgamento. Ele morreu de câncer em 1998, cinco anos antes de a polícia reabrir o caso de David.
Fontes:
- https://www.cbsnews.com/amp/news/ambushed-the-murder-of-david-jackson/
- https://www.cbsnews.com/miami/news/48-hours-investigates-notorious-south-florida-murder/
- https://www.paramountpressexpress.com/cbs-news-and-stations/shows/48-hours/releases/?view=34894-can-a-son-lead-a-new-detective-to-find-his-fathers-killer-48-hours-ambushed-goes-inside-the-murder-of-a-beloved-dad-saturday-march-16-1000-pm-etpt
- https://law.justia.com/cases/florida/fourth-district-court-of-appeal/2010/4d07-4555-op.html
- https://www.casemine.com/judgement/us/59146407add7b04934271346
- https://www.browardpalmbeach.com/news/questions-about-a-fathers-disappearance-led-to-answers-that-were-far-too-close-to-home-6350570/
- https://www.browardpalmbeach.com/news/barbara-britton-pleads-guilty-as-an-accessory-to-david-jacksons-murder-sides-fail-to-reconcile-6449311/
- https://www.browardpalmbeach.com/news/barbara-britton-accused-of-david-jacksons-murder-to-plead-guilty-to-reduced-charge-6472949/
- https://www.sun-sentinel.com/2012/04/17/guilty-plea-closes-24-year-old-murder-case-2/
- https://www.sun-sentinel.com/2007/12/15/ex-wife-charged-with-murder-after-19-years/?clearUserState=true
- https://www.sun-sentinel.com/2010/09/16/woman-implicated-in-ex-husbands-murder-to-be-released-on-bail/
- https://www.sun-sentinel.com/2004/10/13/suspect-held-in-88-death-of-pines-man/
- https://www.findagrave.com/memorial/106814812/david_churchill-jackson





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